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BIBLIOTECA DO INSTITUTO DE QUÍMICA
UNICAMP

 
TESE DE DOUTORADO
 
Autor: Cordeiro, Milade dos Santos Carneiro
Título: Produção de Ocratoxina A em Feijão
Ano: 1990
Orientador: Prof. Dr. Jaime Amaya-Farfán
Coorientador: Prof. Dr. Paulo José Samenho Moran
Departamento: Química Orgânica
Palavras-chave: -
Resumo: Foram produzidos em torno de 700 mg de ocratoxina A usando-se um sistema de Aspergillusochraceus e cinco variedades de feijão em grão para avaliar a qualidade do substrato na bioprodução dessa micotoxina. Para tanto, cinco variedades de feijão (Phaseolus vulgaris L., Preto, Branco, Rosinha, Roxo e Rajado; 22% de umidade) foram inoculadas com infusões de 2,65 x 10 esporos e incubadas a 280°C durante 28 dias. Um quarto dos lotes de substrato era de grãos intactos, 1/4 de grãos sem tegumento e 1/2 de grãos previamente gama-irradiados (IMRad). Demonstrou-se que o feijão não só suporta o crescimento do fungo e a produção de ocratoxina como é um substrato altamente estimulador da bioprodução de toxina. A bioprodução variou de aproximadamente 150 mg/kg no feijão Branco até aproximadamente 250 mg/kg no Preto, sendo que, de modo geral o cotilédone descorticado foi ligeiramente mais eficiente do que o grão intacto. Após irradiado, o substrato torna-se sensivelmente menos eficiente, ao contrário do que tem sido relatado para outros grãos e toxinas. Em adição, o cotilédone mostrou ser ainda menos eficiente quando foi irradiado sem o tegumento. Estudando-se a influência de alguns componentes-chave do grão no poder estimulatório da bioprodução encontrou-se que os aminoácidos livres e os açúcares redutores, ao invés dos aminoácidos e açúcares totais, estavam relacionados com a maior ou menor produção de toxina das variedades. Ácido glutâmico e prolina foram dois aminoácidos particularmente comprometidos no poder estimulador, enquanto que a metionina, em níveis acima de 2 x 10 da soma de aminoácidos, mostrou um efeito inibitório dominante sobre a bioprodução. As concentrações dos elementos Fe, Zn, Cu, Mn, Li e Mg, além de K, Ba, Ca, Na e P, não mostraram correlação com os níveis de bioprodução, talvez por se encontrarem já, em patamares satisfatários, especialmente com respeito aos microelementos Fe, Zn e Cu. A ocratoxina A produzida foi purificada em coluna de sílica gel 60-G e a sua identidade demonstrada por espectrometria de massa, ressonância magnética nuclear (H), absorção infravermelha e ultravioleta e ainda pelo seu comportamento cromatográfico com e sem reação com FeCl3. Em adição a ocratoxina A, o teste biológico com Artemia salina revelou a presença significativa de mais um substância tóxica desconhecida no extrato bruto que não coincide com as ocratoxinas B nem C. Os resultados aqui apresentados vêm também confirmar definitivamente a identidade da ocratoxina A extraída pelo novo método de análise rotineira proposto por Soares e Rodriguez-Amaya (1987).
Abstract: Approximately 700 mg of ochratoxin A were produced in a system consisting of Aspergillus ochraceus and five varieties of dry beans (Phaseolus vulgaris L.) in order to assess the ability of this substrate to support the bioproduction of the mycotoxin. Samples of the varieties Preto, Branco, Rosinha, Roxo and Rajado (22% humidity) were inoculated (2.65 x 10 spores) and incubated at 28°C for 28 days. One fourth of the lots were intact kernels, 1/4 decorticated kernels and the remaining 1/2 were beans which were previously gamma irradiated (1 MRad). It was shown that the common bean does not only support growth and bioproduction of ochratoxin but it is a highly stimulatory substrate. Bioproduction ranged from approximately 150 to 250 mg/kg for the Branco and Preto varieties, respectively. In general, the decorticated cotyledon was slightly efficient as substrate than the intact kernel. Following irradiation, the bean became considerably less efficient a substrate, contrary to what has been reported for other food commodities and toxins. Such an effect was even more pronounced with the decorticated cotyledon. It was found that both free amino acids and reducing sugars, as opposed to total amino acids and sugar, were key compounds for the stimulatory properties of the bean. Thus, glutamic acid and proline were two amino acids particularly linked to the stimulatory effect while methionine showed an overriding inhibitory effect in levels above 2 x 10 of the amino acid total. The concentration of Fe, Zn, Cu, Mn, Li and Mg, in addition to those of K, Ba, Ca, Na and P did not correlate with the extents of bioproduction, perhaps due to the presence of already-satisfactory levels, especially in the case of the micro elements Fe, Zn and Cu. The ochratoxin A produced was purified in a column of silica gel 60-G and its identity proved by mass spectrometry,H nuclear magnetic ressonance, infra-red and ultra-violet absorption. The chromatographic behavior before and after reaction of the toxin with FeCl3 was also used as a criterion of identity. Biological assays with Artemia salina showed that, in addition to ochratoxin A, substantial amounts of an unidentified toxic substance are present in the crude extract, which does not seem to be either ochratoxin B or C. The data presented also provide unequivocal proof that ochratoxin A is the target compound extracted by the recently proposed method for routine analysis of ochratoxin A of Soares and Rodriguez-Amaya (1987).
Arquivo (Texto Completo): vtls000029522.pdf ( tamanho: 2,91MB )

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